quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O gênero dissertativo-argumentativo - parte 1

Estamos cercados de textos de diversos gêneros. Mas o que seria um gênero textual? Gênero textual é uma classificação baseada em um conjunto de características que conferem ao texto um padrão no qual ele é desenvolvido. Por exemplo, são gêneros textuais: o e-mail, a carta, o currículo, a receita, uma bula de remédio, entre outros. Você não encontra problemas para distinguir um e-mail de uma receita de bolo, pois há esse conjunto de características que os diferenciam. Não que um e-mail seja exatamente igual ao outro, mas as características básicas, como o tipo de linguagem e a estrutura, repetem-se.
Mas o que seria, então, o tipo textual? Não existem muitos tipos textuais: dissertação, narração, descrição, argumentação, injunção. Esses tipos são percebidos observando os interlocutores (quem escreve para quem?), a finalidade (com qual intenção?), a natureza (objetivo ou opinativo?), a estrutura e a linguagem (formal, informal ou coloquial?). Esses tipos textuais podem aparecer sozinhos ou mesclados, que é mais comum. Assim, eles se materializam nos gêneros textuais, já que cada gênero apresenta trechos dissertativos, narrativos, descritivos, argumentativos ou injuntivos.
 O texto dissertativo pode se mesclar com outros e é frequente que ele se mescle com o tipo da argumentação, dobradinha muito comum na maioria dos vestibulares e cobrada, nos últimos anos, na redação do ENEM. Isso é um motivo a mais para conhecermos esse tipo textual e aprendermos a redigi-lo. 
Nesta postagem, abordarei dissertação e argumentação separadamente. Na seguinte, falaremos da estruturação do texto dissertativo-argumentativo.

DISSERTAÇÃO
A dissertação é um tipo de texto em que há um discurso explicativo, cujo objetivo é explorar um certo assunto sem, porém, incluir um posicionamento ou uma opinião. O objetivo da dissertação seria, pois, explicar, discorrer sobre algo. Dentre as estratégias dissertativas, destacamos:

COMPARAÇÃO, ALUSÃO HISTÓRICA, CITAÇÃO, EXEMPLIFICAÇÃO, OPOSIÇÃO OU CONTRASTE, DEFINIÇÃO,   APRESENTAÇÃO  DE  DADOS ESTATÍSTICOS   E   RELAÇÃO DE CAUSA  E  EFEITO.

Essas estratégias são responsáveis pela fundamentação das informações e afirmações feitas no texto. 
Em relação à linguagem utilizada nos textos dissertativos, devemos empregar a variedade padrão e uma linguagem impessoal, com o uso predominante da 3ª pessoa e/ou voz passiva. O texto deve ter verbos, predominantemente, no presente do indicativo, para garantir a certeza e a veracidade das informações. Além dessas características, o autor deve se preocupar com a precisão das informações, tratando-as com objetividade, sem demonstrar, portanto, emoção ao tratar do assunto.

ARGUMENTAÇÃO
Argumentar é a capacidade de relacionar fatos, teses, estudos, opiniões, problemas e possíveis soluções a fim de embasar determinado pensamento ou ideia. Um texto argumentativo sempre é feito visando um destinatário. O objetivo desse tipo de texto é convencer, persuadir, levar o leitor a seguir uma linha de raciocínio e a concordar com ela.
No caso da redação, por ser um texto pequeno, há uma obrigatoriedade em ser conciso e preciso, para que o leitor possa ser levado direto ao ponto chave. Para isso é necessário que se exponha a questão ou proposta a ser discutida logo no início do texto, e a partir dela se tome uma posição, sempre de forma impessoal. O envolvimento de opiniões pessoais, além de ser terminantemente proibido em textos que serão analisados em concursos, pode comprometer a veracidade dos fatos e o poder de convencimento dos argumentos utilizados. Por exemplo, é muito mais aceitável uma afirmação de um autor renomado ou de um livro conhecido do que o simples posicionamento do redator a respeito de determinado assunto.
Uma boa argumentação só é feita a partir de pequenas regras as quais facilmente são encontradas em textos do dia-a-dia, já que durante a nossa vida levamos um longo tempo tentando convencer as outras pessoas de que estamos certos.
ü  Os argumentos devem ter um embasamento, nunca deve-se afirmar algo que não venha de estudos ou informações previamente adquiridas.
ü  Os exemplos dados devem ser coerentes com a realidade, ou seja, podem até ser fictícios, mas não podem ser inverossímeis.
ü  Caso haja citações de pessoas ou trechos de textos os mesmos devem ser razoavelmente confiáveis, não se pode citar qualquer pessoa.
ü  Experiências que comprovem os argumentos devem ser também coerentes com a realidade.

ü  Há de se imaginar sempre os questionamentos, dúvidas e pensamentos contrários dos leitores quanto à sua argumentação, para que a partir deles se possa construir melhores argumentos, fundamentados em mais estudo e pesquisa.


Nenhum comentário:

Postar um comentário