Estamos cercados de textos de diversos
gêneros. Mas o que seria um gênero textual? Gênero textual é uma classificação
baseada em um conjunto de características que conferem ao texto um padrão no
qual ele é desenvolvido. Por exemplo, são gêneros textuais: o e-mail,
a carta, o currículo, a receita, uma bula de remédio, entre outros. Você não
encontra problemas para distinguir um e-mail de uma receita de
bolo, pois há esse conjunto de características que os diferenciam. Não que um e-mail seja
exatamente igual ao outro, mas as características básicas, como o tipo de
linguagem e a estrutura, repetem-se.
Mas o que seria, então, o tipo textual?
Não existem muitos tipos textuais: dissertação, narração, descrição,
argumentação, injunção. Esses tipos são percebidos observando os interlocutores
(quem escreve para quem?), a finalidade (com qual intenção?), a natureza
(objetivo ou opinativo?), a estrutura e a linguagem (formal, informal ou
coloquial?). Esses tipos textuais podem aparecer sozinhos ou mesclados, que é
mais comum. Assim, eles se materializam nos gêneros textuais, já que cada
gênero apresenta trechos dissertativos, narrativos, descritivos, argumentativos
ou injuntivos.
O texto dissertativo pode se
mesclar com outros e é frequente que ele se mescle com o tipo da argumentação,
dobradinha muito comum na maioria dos vestibulares e cobrada, nos últimos anos,
na redação do ENEM. Isso é um motivo a mais para conhecermos esse tipo textual
e aprendermos a redigi-lo.
Nesta postagem, abordarei dissertação e
argumentação separadamente. Na seguinte, falaremos da estruturação do texto
dissertativo-argumentativo.
DISSERTAÇÃO
A dissertação é um tipo de texto em que
há um discurso explicativo, cujo
objetivo é explorar um certo assunto sem, porém, incluir um posicionamento ou
uma opinião. O objetivo da dissertação seria, pois, explicar, discorrer sobre algo. Dentre as estratégias
dissertativas, destacamos:
COMPARAÇÃO, ALUSÃO HISTÓRICA, CITAÇÃO, EXEMPLIFICAÇÃO, OPOSIÇÃO OU
CONTRASTE, DEFINIÇÃO, APRESENTAÇÃO DE DADOS ESTATÍSTICOS E RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Essas estratégias são responsáveis pela fundamentação das informações e
afirmações feitas no texto.
Em relação à linguagem utilizada nos
textos dissertativos, devemos empregar a variedade
padrão e uma linguagem impessoal,
com o uso predominante da 3ª pessoa e/ou
voz passiva. O texto deve ter verbos, predominantemente, no presente do indicativo, para garantir a
certeza e a veracidade das informações. Além dessas características, o autor
deve se preocupar com a precisão das
informações, tratando-as com objetividade,
sem demonstrar, portanto, emoção ao tratar do assunto.
ARGUMENTAÇÃO
Argumentar é a capacidade de
relacionar fatos, teses, estudos, opiniões, problemas e possíveis soluções a
fim de embasar determinado pensamento ou ideia. Um texto argumentativo
sempre é feito visando um destinatário. O objetivo desse tipo de texto é
convencer, persuadir, levar o leitor a seguir uma linha de
raciocínio e a concordar com ela.
No caso da redação, por ser um texto
pequeno, há uma obrigatoriedade em ser conciso e preciso, para que o leitor
possa ser levado direto ao ponto chave. Para isso é necessário que se exponha a
questão ou proposta a ser discutida logo no início do texto, e a partir dela se
tome uma posição, sempre de forma impessoal. O envolvimento de opiniões
pessoais, além de ser terminantemente proibido em textos que serão analisados
em concursos, pode comprometer a veracidade dos fatos e o poder de
convencimento dos argumentos utilizados. Por exemplo, é muito mais aceitável
uma afirmação de um autor renomado ou de um livro conhecido do que o simples
posicionamento do redator a respeito de determinado assunto.
Uma boa argumentação só é feita a
partir de pequenas regras as quais facilmente são encontradas em textos do
dia-a-dia, já que durante a nossa vida levamos um longo tempo tentando
convencer as outras pessoas de que estamos certos.
ü Os argumentos devem
ter um embasamento, nunca deve-se afirmar algo que não venha de estudos ou
informações previamente adquiridas.
ü Os exemplos dados
devem ser coerentes com a realidade, ou seja, podem até ser fictícios, mas não
podem ser inverossímeis.
ü Caso haja citações de
pessoas ou trechos de textos os mesmos devem ser razoavelmente confiáveis, não
se pode citar qualquer pessoa.
ü Experiências que
comprovem os argumentos devem ser também coerentes com a realidade.
ü Há de se imaginar
sempre os questionamentos, dúvidas e pensamentos contrários dos leitores quanto
à sua argumentação, para que a partir deles se possa construir melhores
argumentos, fundamentados em mais estudo e pesquisa.